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Os desafios da vacinação no Brasil após aprovação pela Anvisa

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A vacina contra coronavírus foi
finalmente aprovada e aplicada no Brasil,   após meses de ansiedade, idas e vindas,
debates sobre eficácia e brigas políticas A enfermeira Mônica Calazans, que tem 54 anos e
mora em São Paulo, foi a primeira pessoa vacinada   do país, poucos minutos depois que a Anvisa
autorizou o uso emergencial tanto da Coronavac   quanto da vacina da AstraZeneca e Oxford.
Tá, mas e agora? Quando você vai receber   a sua dose? Como vai funcionar essa
fila? Qual é a previsão de vacinação   dos profissionais de saúde, idosos, vulneráveis?
Bem, eu sou Laís Alegretti, da BBC News Brasil,   e hoje eu vou falar sobre o que se sabe – e não
se sabe – até agora sobre essas e outras dúvidas A primeira e mais importante é: quantas doses
nós temos no país hoje e de que vacinas?  Em 17 de janeiro, a diretoria da Anvisa, a
Agência Nacional de Vigilância Sanitária,   autorizou o uso emergencial de duas vacinas.
A CoronaVac, produzida pela chinesa Sinovac   em parceria com o Instituto Butantan,
de São Paulo, e a Oxford-AstraZeneca,   ligada à Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz.
A autorização foi dada pela Anvisa para as   doses que foram importadas pelo
Butantan e pela Fiocruz. No caso,   6 milhões de doses da Coronavac que vieram
da China e outros 2 milhões de doses da   vacina de Oxford que o governo federal está
tentando, ainda sem sucesso, trazer da Índia Ou seja, hoje, em solo brasileiro, há 6 milhões
de doses autorizadas para uso, todas da Coronavac E quem vai distribuir essas vacinas?
Pouco depois da aprovação da Anvisa,   o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello,
afirmou que as doses seriam distribuídas   pelo governo federal para todos os Estados
no dia seguinte, para o início da vacinação São Paulo começou antes porque suas doses
já estavam lá e, segundo o governo paulista,   o ministério autorizou que o Estado já ficasse
com suas próprias doses, que chega a 1,5 milhão Desse jeito, não precisaria mandá-las para
o ministério e depois receber de volta Isso gerou um mal-estar. O ministro da
Saúde acusou o governo paulista de “golpe de marketing” E nós poderíamos, num ato simbólico, ou numa jogada de
marketing, iniciar a primeira dose em uma pessoa Mas em respeito a todos os governadores, prefeitos e
todos os brasileiros, o Ministério da Saúde não fará isso Não faremos uma jogada de marketing O governador João Doria rebateu,   dizendo que o governo federal faz
“golpe de morte com os brasileiros” com a falta de vacinas e ao insistir na recomendação da
cloroquina, uma droga que não tem eficácia comprovada   contra a covid-19, e com a falta de vacinas.
Mas voltando, se o Brasil tem 212   milhões de habitantes, cadê o resto das vacinas?
Bem, agora que houve a aprovação das doses   importadas, a Anvisa vai analisar os pedidos
do Butantan e da Fiocruz para autorizar vacinas   que serão produzidas em solo brasileiro.
O Butantan já produziu quase 5 milhões de   doses e espera totalizar 46 milhões até o
final de março. Todas as vacinas produzidas   serão repassadas ao Ministério da Saúde para
distribuição proporcional para os outros Estados   brasileiros, com vacinação simultânea.
Embora a primeira vacina seja motivo para   comemoração, para alguns especialistas em
imunização, tanto o projeto federal quanto   o projeto paulista podem ser problemáticos.
Os primeiros grupos prioritários,   como profissionais de saúde e idosos
com mais de 75 anos, totalizam quase   15 milhões de brasileiros, quase o dobro
do número de doses que o governo importou Como disse à BBC News Brasil a epidemiologista
Carla Domingues, que coordenou o Programa   Nacional de Imunizações do Brasil de 2011
a 2019, “é claro que a conta não fecha” Para ela, o mais factível seria começar a
vacinação em alguns hospitais específicos   ou em locais onde a situação epidemiológica
é mais crítica, como Manaus, e não distribuir   para todos os lugares ao mesmo tempo.
Com os dados disponíveis sobre as vacinas que o   Brasil comprou ou prevê produzir, é uma questão de
tempo até o programa de imunização deslanchar. Só   não se sabe quando e nem quanto meses vai demorar.
Para se ter uma ideia, o Reino Unido, que tem um   terço da população brasileira, começou
a vacinação em dezembro de 2020 e prevê   vacinar todos os adultos do país até setembro.
Três vacinas já foram aprovadas pelos órgãos   britânicos: a da Pfizer/BioNTech, a
Moderna e a de Oxford/AstraZeneca No caso do Brasil, a Fiocruz planeja produzir
quase 100 milhões de doses da vacina de Oxford   no primeiro semestre e outras 100 milhões até
o fim de 2021. Além disso, o Butantan planeja   fornecer 86 milhões de doses neste ano, ao todo.
Vale lembrar também que o Brasil aderiu ao   Covax Facility, mecanismo internacional criado
em defesa da distribuição igualitária de vacinas   contra a covid-19, e pode receber mais 42,5
milhões de doses por meio desse programa Como tem acontecido em diversos países ao redor
do mundo, o ritmo do programa de vacinação do país   vai depender da disponibilidade dessas doses.
Embora os primeiros passos da campanha de   vacinação brasileira ainda estejam cercados de
dúvidas e temores, especialistas com conhecimento   do modelo brasileiro de imunização pelo SUS
defendem que o Brasil tem ampla capacidade técnica   em levar a cabo uma vacinação rápida e eficaz.
José Gomes Temporão, que foi ministro da   Saúde entre 2007 e 2011 e hoje integra o
Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz,   lembrou em entrevista à BBC News Brasil que na
pandemia de H1N1, em 2010, o Brasil conseguiu   vacinar 80 milhões de pessoas em três meses.
Até o momento em que eu gravei esse vídeo,   40 milhões de pessoas haviam sido vacinadas
contra o coronavírus em dezenas de países Metade delas apenas na China e nos Estados Unidos.
Tá, mas e no Brasil, quem vai receber primeiro   agora a vacina contra a covid? Posso
já ir para a frente do posto de saúde?  Como não há doses para todo mundo,
os países criaram suas filas de   prioridade. E no Brasil não foi diferente.
O Plano Nacional de Operacionalização da   Vacinação, anunciado pelo governo federal, prevê
alguns grupos prioritários para receber a vacina A primeira fase inclui trabalhadores da área da
saúde, pessoas de 60 anos ou mais que vivem em   asilos, por exemplo, os idosos com mais de
75 anos, a população indígena e comunidades   tradicionais ribeirinhas e quilombolas. Esse
grupo totaliza umas 15 milhões de pessoas A segunda fase vai incluir população
idosa em geral, de 60 a 74 anos,   que totaliza umas 22 milhões de pessoas. Estima-se
que a fase 2 transcorra entre fevereiro e março A fase seguinte inclui diversas categorias,
começando pelas pessoas com comorbidades,   como diabetes e hipertensão arterial grave, que
totalizam quase 13 milhões de pessoas. E depois,   profissionais da área de educação, membros das
forças de segurança e salvamento e funcionários   do sistema de transporte coletivo, entre outros.
Em resumo, esses grupos prioritários somam quase   60 milhões de pessoas e demandarão 120 milhões
de doses, já que até agora nenhuma vacina de   dose única foi aprovada em todos os testes.
Volto a dizer que todos esses dados e datas que   acabei de falar são estimativas e que os prazos
dependem da disponibilidade das doses e de como   a campanha de vacinação vai transcorrer no país.
E com a vacina, poderemos voltar à vida normal?  Não. Isso ainda vai demorar um pouco.
Mesmo nos países onde a vacinação está   mais avançada, ainda deve levar meses
para que o impacto da vacinação em massa   seja sentido nas estatísticas de
mortes, hospitalizações e infecções Ou seja, mesmo com a vacinação tendo
início, isso não pode ser encarado   pela população como um “passe livre” para
aglomerar e deixar de lado cuidados básicos.  Os especialistas ressaltam que é importante
que todos mantenham o distanciamento social,   uso de máscara e higiene das mãos,
mesmo aqueles que já receberam a vacina Na opinião da epidemiologista Carla
Domingues, ex-coordenadora do Programa   Nacional de Imunizações do Brasil, no
primeiro semestre de 2021 ainda não   será possível pensar em retomar a normalidade.
Segundo ela, estudos apontam que precisamos de ao   menos 70% de população vacinada para a circulação
do vírus perder força. E ela diz, abre aspas:  “Minha preocupação é de que, quando começar
a vacina, venha a falsa sensação de que as   pessoas podem fazer festa ou andar sem máscara”.
Bem, ao longo dessa pandemia, já mostramos o   exemplo, positivo e negativo, de outros países.
Quantidade de novos casos e total de mortes são   rankings que ninguém quer liderar…. Mas
a comparação mais recente, que é o índice   de vacinação, pelo menos já começa a olhar
para alguma luz no fim desse longo túnel Alguns países saíram na frente na vacinação
E agora o Brasil dá seus primeiros passos com   a meta de vacinar toda a população em 16 meses.
E nós vamos acompanhar de perto, como sempre Continue acompanhando nossa cobertura
da pandemia no site bbcbrasil.com e no   nosso canal aqui no YouTube.
Muito obrigado, até a próxima

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